Projecto Cabo Verde 2006

Voluntariado universitário de Portugal, em colaboração com associações locais da Cidade da Praia, tendo em vista a promoção do desenvolvimento humano e cultural da população da Calabaceira

terça-feira, agosto 08, 2006

Dia 2 de Agosto de 2006, 4ª feira

Sorrisos Limpos, (em) Bairro Sujo

O dia amanhece e o sol encontra-se escondido, para o nosso alívio. O chão da escola está molhado e o pátio lá fora enlameado. Durante a noite voltara a chover, surpreendendo umas tantas (Xanda, Gisela, Guida, …) que, por não suportarem o calor das salas de aula transformadas em dormitórios, tinham dormido ao relento.
Já tudo mais organizado, podem encontrar-se alguns dormitórios altamente sofisticados, com mosquiteiros e tudo. Para gáudio de muitas, arranjaram-nos colchões para quase todas – o que fez uma enorme diferença na qualidade do sono. A maioria deles foram emprestados pela população do Bairro, a quem agradecemos profundamente.
Depois do pequeno-almoço tomado, cada uma segue para os seus encargos, distribuídos criteriosamente pelo Staff - Helena e Xanda.
Os diferentes grupos vão-se formando, muitas crianças juntam-se à nossa volta, e a primeira sensação é de desorganização e caos. O grupo de Artes Manuais forma-se enquanto o Dispensário Médico é limpo e organizado. A equipa da actividade de Educação Ambiental tenta transmitir os primeiros conceitos, de um modo interactivo, à criançada, que parece muito motivada: a relação da saúde com o ambiente, o ciclo da água, etc. Tivemos a ajuda do Eng.º Luís, da Câmara Municipal da Praia, que também ajudou a enquadrar e a definir as prioridades do saneamento e do ambiente na Calabaceira. Mais tarde fala-se de Jesus aos meninos. Seguem-se os Jogos, mesmo antes do almoço.
À tarde umas descansam, enquanto outras partem à descoberta da Cidade da Praia.
Na actividade prática sobre o Ambiente, da parte da tarde entre as 17h e as 19h, crianças divididas em grupos berram e dispersam. São incontroláveis e o melhor é conformarmo-nos com isso. Seriam mais de 200? Cada grupo tem o nome de um animal e fica incumbido de recolher o maior número de papéis, plásticos, latas e vidros, separadamente. Um dos membros anota as unidades recolhidas de cada tipo de resíduo, outro apanha, outro segura no saco. Ao sair do recinto da escola, pensamos que se fossemos nós a apanhá-lo não saberíamos por onde começar. Mas eles parecem determinados. Avançam descalços por entre o vidro, connosco a fazer caretas de cada vez que um deles pisa algo perigoso. Invadimos Bairro acima por entre ruas e becos encardidos. As pessoas sorriem, chamando-nos “as portuguesinhas”. No fim, como desejável, deixámos todo o lixo recolhido nos contentores.
A meditação, ao final do dia, ajudou a sedimentar tudo o acontecido.
Quando nos despedimos, os meninos, ficam com o ar de quem ficaria connosco a noite toda.
À noite distribuíram-se tarefas e responsabilidades, e para ser mais fácil a relação, toda a gente foi “etiquetada” com o seu nome…
Uma das tarefas mais necessárias consiste em tirar água do poço e levá-la para os bidons que estão nas casas de banho. As técnicas variam e, sob o comando da Rusa, os “stocks” estão garantidos. Começam a aparecer records para o número de canecas por duche! Há já quem consiga tranquilamente banhar-se apenas com 1 canecanecazita (cerca de 1 litro)!