Projecto Cabo Verde 2006

Voluntariado universitário de Portugal, em colaboração com associações locais da Cidade da Praia, tendo em vista a promoção do desenvolvimento humano e cultural da população da Calabaceira

terça-feira, agosto 08, 2006

Dia 3 de Agosto de 2006, 5ª feira

A poeira assentou e o Projecto começou

O dia começa… e hoje tudo é mais sentido. Como se conseguíssemos tocar em cada sorriso ou gesto que nos é lançado pelas crianças que nos esperam agarrados aos portões da Escola.
Retomamos o trabalho em cada grupo de actividades, fazendo o esforço para levar até eles a alegria de um dia diferente. A sensação que fica é a de cá estar há mais de uma semana. O cansaço do trabalho para fazer deste pedaço de terra um lugar melhor é exaustivo. Apesar de a temperatura não ser muito elevada, estamos continuamente a transpirar.
Entretanto, o tempo relativiza-se e damo-nos conta que os dias da semana estão a terminar… Enquanto isso, o Dispensário médico ficou pronto e iniciaram-se as consultas para crianças e adultos. Logo de seguida a notícia correu pelo Bairro e aquele pequeno espaço encheu-se de pessoas com patologias diversas. Desde pequenos cortes, a conjuntivites, hipertensão, diabetes e… falta de atenção. As pessoas procuram-nos porque querem que falemos com elas e se possível… querem levar uma fralda, um leite infantil, uma pomada, mesmo que aquilo não vá servir para nada.
Nas Artes Manuais, os mais pequenos fazem moinhos de papel e os mais crescidos bonecos feitos de balão. Ao mesmo tempo, no Teatro, organizam-se grupos para fazer o jogo da mímica. Segue-se a Catequese sobre a Nossa Senhora e o Terço, convidando para a recitação conjunta às 19h15, na rua, já com a noite a cair.
Depois dos Jogos, almoçámos, seguindo-se o Circulo e a Palestra.
Às 17h00 recomeçou a actividade sobre o Ambiente, iniciando-se a transformação da matéria orgânica em fertilizante. É o que chamamos “composto”. Pensamos que não vai ser fácil, pela falta de humidade, de terra, e pelo facto de estarmos a competir com os porcos, para quem habitualmente vão todos os restos orgânicos. Mas como temos uma filósofa em fase de doutoramento a dirigir as operações, a Sara, cremos que as nossas intenções de melhorar os solos e combater a desertificação em Cabo Verde vão ser conseguidas!
Chegou o resto do material que enviámos em contentor, depois das várias diligências no Porto feitas pela Luciana e pela Lety. Fizemos uma cadeia em que as crianças também participaram – o que foi uma grande ajuda!
Depois do jantar, juntamo-nos para partilhar as experiências vividas ao longo do dia. Apercebemo-nos que apesar de todas as dificuldades, o trabalho está a ser produtivo nos diferentes campos, o que nos dá alento para os próximos dias.