Projecto Cabo Verde 2006

Voluntariado universitário de Portugal, em colaboração com associações locais da Cidade da Praia, tendo em vista a promoção do desenvolvimento humano e cultural da população da Calabaceira

terça-feira, agosto 08, 2006

Dia 5 de Agosto de 2006, Sábado

Bairro Sujo, Cidade Pobre, Mundo Distante

Hoje de manhã decorrem as actividades como o habitual. À tarde não estão programadas actividades, pois vamos celebrar uma Missa campal com a população. Por isso organizamos um grande grupo e vamos até à Cidade da Praia.
O autocarro em que partimos é pequeno, avança pelo caminho, buzinando e acenando a todos quanto passavam. Além das paragens previstas, não deixa de apanhar um ou outro que corre atrás do autocarro… e até faz marcha atrás para lhe facilitar a vida.
Chegadas à Cidade, deparamo-nos com um cenário de contrastes. Alegramo-nos ao compará-la com o “nosso” Bairro, mas ao mesmo tempo impressiona-nos pensar que é a Capital de um País.
O pior é o cheiro! Por todo o lado mistura-se o odor de lixeiras em tudo o que é lugar, sem regra, da terra muito seca, dos animais, dos automóveis, das casas a precisar de um banho e do peixe à beira da estrada a secar para ser vendido (bem pulverizado com pesticida para afastar as moscas).
Isa, a nossa nova amiga que nos ajuda na cozinha, mostra-nos a Cidade e o Mercado Sucupira, ajudando-nos a explorá-lo. É um lugar atafulhado de barracas onde os estrangeiros tentam regatear os preços com os donos, levando sempre a melhor. Passamos e vão-nos dizendo “que gostam muito de portuguesas”.
Assim que chegamos à Escola, dá-se início à Missa Campal, reunindo no mesmo espaço várias pessoas do Bairro e todas as Voluntárias. O coro é cabo verdiano e é um momento muito alto este. As pessoas vivem profundamente a sua fé e gostam das palavras que o Sr. Padre lhes dirige, de confiança nas suas capacidades, de esperança no futuro deste bairro “que tem de ser o mais bonito da cidade da Praia”. Na homilia o Padre Gomez Pablo explicou quais as condições para que isso possa acontecer: usar a inteligência, a cabeça, e pôr o coração, a vontade; e depois trabalhar muito, e fazer o bem, bem feito. Se todas as pessoas quiserem não faltará muito para isso. Precisam é de acreditar em si próprias e saber que são capazes. Vontade não lhes falta. Ao contrário do que poderíamos pensar, as pessoas aqui são inteligentes e quase toda a gente que tem falado connosco sabe ler e escrever. Os miúdos mostram saber muito e no que diz respeito à catequese surpreendem-nos porque, levamos o nosso latim preparado para explicar tudo, mas ao perguntarmos-lhes as coisas, eles respondem a tudo. E todos sabem a ladainha do terço que rezam fielmente todas as tardes connosco no adro da “nossa capela”. É gente muito boa.
E assim, decorre mais um dia de trabalho.