Dia 8 de Agosto, 3ª feira
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência
É terça-feira. Os trabalhos continuam e cada vez mais exigentes. Os miúdos são aos magotes para os jogos, para as artes, para os teatros (já viram o que é ensaiar uma peça, onde todos os dias mudam os actores?) e até para a catequese se for dia de receber terços ou Bíblias ilustradas :-). São difíceis de controlar e em muitas alturas a única forma de pôr alguma ordem é ensinar-lhes a gritar ordenadamente. O duo Guida Marcelino & Sara Carvalhais (sem dúvida contrastante…) e as suas canções do ambiente acompanhadas de garrafas de água vazias com pedras dentro (quais tambores!) foi das formas mais inteligentes de pôr a malta toda a gritar ao mesmo tempo. Isto, claro está, ao mesmo tempo que o Sacerdote tenta ouvir a confissão de mais um catraio que entra na capela (um dos muitos!). Esta é uma das cenas mais interessantes do dia. Temos o sacerdote, o confessionário, o penitente …e o público constituído por 7 ou 8 cromos que se penduram na janela da capela para tentar cuscar! Ah! E falta depois a Lena ou a Raquel à porta da Igreja a tentar manter a ordem!
São miúdos fantásticos, estes! Na catequese demonstram saber imensa coisa e deliram com os vídeos do “Super Livro”, numa sala com uma televisão pequena e 100 cabecinhas encarapinhadas a tentar ouvir alguma coisa, fora as ameaças que entram e saem a cada momento pela janela! Pois, que em Cabo Verde, aquilo que temos como óbvio e certo deixa de existir, coisas simples como as portas abrem-se com as mãos e é por elas que se entra e sai dos compartimentos; coisas como as cadeiras servem para nos sentarmos, ou úlceras na perna doem; ou para fazer “necessidade” procuramos um sítio escondido. Isto e muito mais não é verdade aqui…
Para além das actividades lúdicas que lhes proporcionamos, os miúdos ocupam o dia a jogar a bola descalços, a fazer fila à porta do dispensário médico à espera de receber um elástico para o cabelo (mesmo que “eu seja um menino, porque é para a minha irmã”, ou “mesmo que eu tenha 70 anos, porque é para a neta que não tenho!”); ajudam-nos a acarretar água para podermos cozinha e tomar “banho”, têm informática e participam na recolha do lixo. Por aquilo que nos vão dizendo, estão a adorar, porque eles “amam muito as portuguesas”. Têm uma grande necessidade de atenção, de carinho. Habitualmente não se gosta muito que nos estejam sempre a tirar fotografias, mas esta malta arranha-se para fazer altas poses para qualquer máquina fotográfica que apareça. É difícil tirar fotos a um menino sozinho, por muito que se queira, pois ao ver uma máquina o resto da miudagem acorre aos montões e só saem fotos de grupo. Já muitas de nós foram presenteadas com cartas e desenhos que alguns fazem “para as portuguesas” - a Luisinha deve ter o record dos recadinhos - e outros presentinhos que eles conseguem não se sabe bem onde. São demais!
E para continuar a falar em records, a equipa médica está a estabilizar em cerca de 80 - 100 doentes vistos pelas nossas médicas pediatra (Mila Ruas) e clínica geral (Teresa Ferro) - com o apoio inestimável das finalistas Anica e Ana Isabel -, e uns 100 pensos feitos pelo resto do pessoal! Uma verdadeira empreitada! Há que salientar o papel inestimável da futura caloira de medicina Carolina Sampaio, que entre os gritos para pôr em ordem a multidão que diariamente se acumula à frente do pseudo consultório (ai, Dr.ª Carolina!), às fichas de 1ª triagem de cada um dos doentes e às estatísticas diárias, fazem prever um futuro profissional brilhante e multifacetado! E o começo das consultas de psicologia para as quais a Helena e a Patrícia Vieira já começaram a ser solicitadas…
Chegamos ao fim do dia estoiradas mas felizes. Claro que, apesar das limpezas (que sempre ocupam as manhãs de um grupo numeroso cuja composição vai mudando e cabendo a vez a todas), da cozinha, da musculação para acarretar água do poço, das actividades e agitação omnipresente dos miúdos, as corridas para passear na cidade e explorar o Sucupira, …, ainda há quem se anime a um desafio de futebol (sim, Gisela, Joana & Co.) ou a uma partida de ténis (sim, é verdade, houve quem trouxesse raquetes - … Salomé… - e até já lhes conseguiu dar utilização) É muito bom estar aqui.
É terça-feira. Os trabalhos continuam e cada vez mais exigentes. Os miúdos são aos magotes para os jogos, para as artes, para os teatros (já viram o que é ensaiar uma peça, onde todos os dias mudam os actores?) e até para a catequese se for dia de receber terços ou Bíblias ilustradas :-). São difíceis de controlar e em muitas alturas a única forma de pôr alguma ordem é ensinar-lhes a gritar ordenadamente. O duo Guida Marcelino & Sara Carvalhais (sem dúvida contrastante…) e as suas canções do ambiente acompanhadas de garrafas de água vazias com pedras dentro (quais tambores!) foi das formas mais inteligentes de pôr a malta toda a gritar ao mesmo tempo. Isto, claro está, ao mesmo tempo que o Sacerdote tenta ouvir a confissão de mais um catraio que entra na capela (um dos muitos!). Esta é uma das cenas mais interessantes do dia. Temos o sacerdote, o confessionário, o penitente …e o público constituído por 7 ou 8 cromos que se penduram na janela da capela para tentar cuscar! Ah! E falta depois a Lena ou a Raquel à porta da Igreja a tentar manter a ordem!
São miúdos fantásticos, estes! Na catequese demonstram saber imensa coisa e deliram com os vídeos do “Super Livro”, numa sala com uma televisão pequena e 100 cabecinhas encarapinhadas a tentar ouvir alguma coisa, fora as ameaças que entram e saem a cada momento pela janela! Pois, que em Cabo Verde, aquilo que temos como óbvio e certo deixa de existir, coisas simples como as portas abrem-se com as mãos e é por elas que se entra e sai dos compartimentos; coisas como as cadeiras servem para nos sentarmos, ou úlceras na perna doem; ou para fazer “necessidade” procuramos um sítio escondido. Isto e muito mais não é verdade aqui…
Para além das actividades lúdicas que lhes proporcionamos, os miúdos ocupam o dia a jogar a bola descalços, a fazer fila à porta do dispensário médico à espera de receber um elástico para o cabelo (mesmo que “eu seja um menino, porque é para a minha irmã”, ou “mesmo que eu tenha 70 anos, porque é para a neta que não tenho!”); ajudam-nos a acarretar água para podermos cozinha e tomar “banho”, têm informática e participam na recolha do lixo. Por aquilo que nos vão dizendo, estão a adorar, porque eles “amam muito as portuguesas”. Têm uma grande necessidade de atenção, de carinho. Habitualmente não se gosta muito que nos estejam sempre a tirar fotografias, mas esta malta arranha-se para fazer altas poses para qualquer máquina fotográfica que apareça. É difícil tirar fotos a um menino sozinho, por muito que se queira, pois ao ver uma máquina o resto da miudagem acorre aos montões e só saem fotos de grupo. Já muitas de nós foram presenteadas com cartas e desenhos que alguns fazem “para as portuguesas” - a Luisinha deve ter o record dos recadinhos - e outros presentinhos que eles conseguem não se sabe bem onde. São demais!
E para continuar a falar em records, a equipa médica está a estabilizar em cerca de 80 - 100 doentes vistos pelas nossas médicas pediatra (Mila Ruas) e clínica geral (Teresa Ferro) - com o apoio inestimável das finalistas Anica e Ana Isabel -, e uns 100 pensos feitos pelo resto do pessoal! Uma verdadeira empreitada! Há que salientar o papel inestimável da futura caloira de medicina Carolina Sampaio, que entre os gritos para pôr em ordem a multidão que diariamente se acumula à frente do pseudo consultório (ai, Dr.ª Carolina!), às fichas de 1ª triagem de cada um dos doentes e às estatísticas diárias, fazem prever um futuro profissional brilhante e multifacetado! E o começo das consultas de psicologia para as quais a Helena e a Patrícia Vieira já começaram a ser solicitadas…
Chegamos ao fim do dia estoiradas mas felizes. Claro que, apesar das limpezas (que sempre ocupam as manhãs de um grupo numeroso cuja composição vai mudando e cabendo a vez a todas), da cozinha, da musculação para acarretar água do poço, das actividades e agitação omnipresente dos miúdos, as corridas para passear na cidade e explorar o Sucupira, …, ainda há quem se anime a um desafio de futebol (sim, Gisela, Joana & Co.) ou a uma partida de ténis (sim, é verdade, houve quem trouxesse raquetes - … Salomé… - e até já lhes conseguiu dar utilização) É muito bom estar aqui.

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